quarta-feira, 28 de março de 2012

Velhice

Algumas pessoas na velhice conseguem refazer sua rotina, entendem os benefícios do amadurecimento e vivem a velhices de maneira “mais tranqüila”, aceitando as transformações impostas pelo tempo. Entretanto não é o caso da maioria.

O mais comum é o idoso sentir-se só, com grande sentimento de menos valia e perdido em como viver a sua vida. Soma-se a isso a decadência financeira, pois nosso sistema de aposentadoria não beneficia um envelhecimento digno a maioria, e as mudanças físicas são sentidas como completamente ameaçadoras. O idoso vai sendo tomado por um terror da morte, um medo de não dar conta de ser finito.

E tem também uma grande parcela de pessoas que negam completamente a velhice, hoje a mídia fomenta muito isso, envelhecer jamais. Então é a senhora de 70 anos que faz plástica para parecer com 40 e acreditando estar com 40 anos. O que também caracteriza uma dificuldade de enfrentar a velhice. Muitas vezes olhar para a velhice é deparar-se com aspectos que são doloridos de serem vividos.

A maneira como cada um envelhece é um reflexo de seus aspectos mais internos, de como foi que viveu toda a sua vida, quem tem uma vida triste conseqüentemente terá uma velhice triste. Quem possui recursos internos de lidar com os problemas de maneira mais equilibrada muitas vezes conseguira terá uma velhice mais feliz.

Há cem anos atrás, na época áurea da psicanálise, Freud não chegou a estudar com profundidade o envelhecer, o que fez com que muitos acreditassem que não era possível tratar o sofrimento do velho, pois este nada mais tinha a ser trabalhado. Este conceito estava infimamente ligado a uma visão de velho decrépito.

Hoje sabemos que não é assim, os sentimentos e o sofrimento merecem total atenção, em todas as etapas da vida, seja criança, adolescente, adulto e idoso. O atendimento psicológico ao idoso visa compreender as transformações desta etapa da vida, auxiliando-o a entender essas mudanças e buscando as potencialidades e benefícios gerados na terceira idade.


Bibliografia

  1. Mercadante, Elizabeth Frolich. Envelhecimento ou longevidade. Editora Paulus, 2009
  2. Beauvoir S. Velhice e Biologia. In: A velhice. Editora Nova Fronteira

Um pouco da minha história..


Quando cheguei a tão amedrontadora época de prestar vestibular, não tinha a menor ideia do que iria estudar, durante muito tempo acreditei que a Psicologia entrou na minha vida por acaso, depois de longos anos de terapia, consegui enxergar que foi uma escolha tão profunda, que nem passou pela razão, destas coisas que chamam de “Inconsciente”.

E desde 1994, não consegui mais viver sem estudar Psicologia, foram 5 anos de graduação e desde 1999 desenvolvo trabalho em clinica.

No inicio da carreira, muito influenciada pela linha da faculdade que estudei (FMU), e com imensa admiração por dois professores (Anderson Zenidarci e Armando Colognese Jr) segui os caminhos da Psicanálise.

O atendimento com adultos sempre esteve presente, e havia um gosto por trabalhos com adolescentes, o que me fez estudar Psicoterapia Psicanalítica para Adolescentes no Instituto Pieron.

Em 2002 os ventos me levaram para uma Pós Graduação em Arte Integrativa, com isso um mundo novo se abriu, o contato com as artes, as reflexões sobre varias formas de expressar os conflitos, a paixão pelo simbólico, começaram a me transformar enquanto pessoa e psicoterapeuta.

Os atendimentos com adolescentes e orientações vocacionais já não eram os mais prazerosos, e no decorrer dos anos, sentia que faltava algo.

Em busca de dar conta desta inquietação que ano após ano crescia, cheguei ao Instituto Sedes, para um aprimoramento em Gerontologia em 2010. E tive a cada encontro mais certeza, de que meu desejo era aprofundar as questões que envolvem a velhice.

Por mais que escreva milhares de palavras, jamais serei capaz de expressar o que a gerontologia fez com minha vida, com minha postura e compreensão de Psicoterapeuta, entrar neste caminho tem sido uma riqueza.

Vou confessar, as leituras de Irvin Yalom, minha vivencia enquanto paciente de Gestalt Terapia e um mergulho nas Terapias ditas Humanistas a cada dia fazia mais sentido, com isso fui construindo outra postura, e mudando minha concepção de relação paciente-terapeuta, ou melhor cliente-terapeuta.

Este blog será de humildes pinceladas, neste percurso da Psicoterapia, trarei escritos meus, e abro espaço para meus colegas contribuírem também, encantados com a possibilidade tornar acessível a todas as pessoas coisas do universo da Psicologia, nesta busca incessante pelo aprofundamento em si mesmo.