Admito não ser uma profunda estudiosa em psicologia infantil, entretanto tudo parte da infância, é lá que as coisas se consolidam, então atender adulto e idoso é sim aprofundar em questões da infância. E também o objetivo do Blog é explorar novos caminhos, disseminar informações e ser um espaço de reflexão, pensando em tudo isso, este post propõe uma introdução a importância dos CONTOS DE FADAS.
Em uma conversa, um adulto me disse achar dispensável criança acreditar em CONTOS DE FADAS, como se fossem apenas perfumaria, coisas que afastam as crianças do mundo real, como se as estórias alimentassem fatos enganosos aos pequenos. Naquele momento senti certa inquietação, afinal os CONTOS DE FADAS sempre fizeram parte da minha vida, e insisto para que façam parte da vida do meu filho.
Impossível pensar em CONTOS DE FADAS, sem refletir sobre a importância da fantasia e do simbólico, que deixarei para um próximo post.
A diversidade de livros que tratam sobre o tema é grandiosa, porque fazem jus a importância de se utilizar veículos (contos) para de alguma forma acessar o inconsciente das crianças, aqui vou utilizar como referencia principal “A psicanálise dos contos de Fadas” do autor Bruno Bettelhein.
O autor escreve:
“A criança. à medida que se desenvolve, deve aprender passo a
passo a se entender melhor; com isto, torna-se mais capaz de
entender os outros, e eventualmente pode-se relacionar com eles de
forma mutuamente satisfatória e significativa.
Este trecho remete a ideia de que a criança necessita aprender a lidar com seus medos e suas angustias, mas ainda não possui os mesmos recursos internos do adulto, ficando difícil muitas vezes compreender o mundo ao seu redor de maneira racional, ou pelo menos da maneira que é mais fácil ao adulto.
Um bom exemplo disso é a morte, como cada criança entende isso. É óbvio que temos por trás as diversas convicções religiosas de cada família, mas toda criança constrói uma fantasia sobre o morrer, diante de sua capacidade de suportar aquela dor.
A maioria dos contos de fadas de maneira delicada fala da destruição e do morrer, como “Chapeuzinho Vermelho” engolida pelo Lobo Mal, assim como sua amada vovó.
Bruno cita que:
Esta é exatamente a mensagem que os contos de fada transmitem
à criança de forma múltipla: que uma luta contra dificuldades
graves na vida é inevitável, é parte intrínseca da existência humana
- mas que se a pessoa não se intimida mas se defronta de modo firme
com as opressões inesperadas e muitas vezes injustas, ela dominará
todos os obstáculos e, ao fim, emergirá vitoriosa
Penso que a essência dos contos de fadas seja a conversa de maneira sutil e inconsciente que ele permite fazer com as crianças, podendo trazer de maneira lúdica questões muito difíceis de serem abordadas.
Poderia aqui escrever paginas e paginas sobre o assunto, até porque existem milhares de contos de fadas, e cada um tem infinitas versões,mas tive que fazer uma escolha e inspirada pela preferência do meu filho, decidi discorrer sobre “Três Porquinhos”, aguçando a curiosidade de cada um que ler este post na busca interna de seu conto de fadas preferido, aprofundamento nos seus medos e compreensão de seu mundo interno, que acredito fielmente será despertado em cada um de vocês.
Em linhas gerais, o conto fala de uma mãe que sabendo ter chegado à vida “adulta” aos seus três porquinhos pede que eles sigam para a floresta e possam construir suas casas. Buscando sua própria independência.
Cada um dos três porquinhos faz sua escolha. O caçula estava com pressa de brincar, toma o caminho mais fácil e constrói uma casa de palha. O segundo também quer se divertir e para não perder muito tempo constrói uma casa de madeira. O mais velho, preocupa-se com segurança, deixa de lado o lazer, e estrutura uma casa de tijolos.
Quando chega o Lobo Mal, derruba a casa de palha e madeira, mas não a de tijolo onde se abrigam todos os 3 porquinhos.
Bruno comenta que os 2 porquinhos mais jovens querem se “livrar” logo do compromisso de construir a casa, com uma preocupação maior em sentir prazer através das brincadeiras, negando os perigos e não querendo entrar em contato com a realidade.
Apenas o porquinho mais velho é capaz de adiar seus desejos de brincar, preocupa-se com o futuro e amadurece, dando inclusive abrigo aos seus irmãos infantilizados.
Bruno cita que:
“A estória dos três porquinhos sugere uma transformação na qual muito do prazer é retido, porque agora a satisfação é buscada com verdadeiro respeito pelas exigências da realidade”.
Não tenho duvidas de que se trata de uma grande reflexão sobre crescer, assumir responsabilidade e conseguir equilibrar desejo e realidade, coisas fundamentais para a construção de adultos saudáveis.
O post não tem pretensão de convencer ninguém a respeito da importância dos CONTOS DE FADAS para o desenvolvimento emocional dos pequenos, mas se plantou em cada um que leu uma pequena duvida já estou satisfeita.
Convido inclusive minhas admiradas:
Ana Paula Nascimento – para discorrer sobre MITOS
Emiliane Colleto – para falar sobre fantasia na infância
Fernanda Machado – para escrever sobre literatura infantil
E com isto o blog ir tomando corpo e despertando diálogos.
Bibliografia:
A Psicanalise dos Contos de Fadas. Bruno Bettelhein